Segredos Revelados – Capítulo 01
Ao som de “Seven Days in Sunny June”,
caminha pela quinta avenida nova-iorquina Rick e sua amiga americana Jane. Ele
está ao celular conversando com Manu. Os dois falam sobra a festa de
aniversário dela. Ela diz que espera que ele consiga chegar a tempo para a
festa. Rick confessa temer não ser possível chegar antes, mas acha que consegue
pegar metade da festa. Manu revela achar exagerada essa festa que sua mãe está
preparando. Rick diz à amiga que ela deve aproveitar já que não é todo mundo
que tem uma mãe milionária para dar uma festa de luxo. Manu responde que não
aceita o dinheiro da mãe, pois sabe que toda a riqueza não veio honestamente.
Rick entende e diz que precisa desligar, pois fará a prova final de inglês. Os
dois se despedem e Rick junto de Jane entram no English Institute. Lá Rick é
ótimo na prova oral e na apresentação, ele consegue o certificado de término de
curso. Anoitece na bela NY ao som de mais Jamiroquai, “White Knuckle Ride”.
Rick e Jane festejam a conquista do certificado. Bebem champanhe no topo de um
luxuoso prédio com uma vista espetacular de Nova York. Os dois conversam em
inglês sobre como será triste terem de se despedir amanhã. Rick a convida para
conhecer o Brasil. Ela diz que no momento é impossível, pois terá de encontrar
sua mãe em Londres. Uns amigos de Jane chegam e ela fica toda feliz, pois
esses mesmos amigos acabaram de chegar de uma viagem a Espanha. Ela apresenta
Peter, Bryan e Tommy para Rick. Os cinco se divertem e os recém chegados
parabenizam o brasileiro pelo seu certificado. A noite cai adentro e Bryan
troca olhares com Rick, que fica completamente sem jeito e desvia o olhar
repetidas vezes. Bryan fala ao ouvido de Jane. Que encara Rick. Jane vai até
ele e lhe serve mais champanhe. Ela vai até o seu ouvido e diz alguma coisa.
Rick olha para ela descrente e sai até a sacada. Com a taça na mão. Jane fala
para Bryan chegar mais perto de Rick. Bryan decide tomar uma atitude e vai até
Rick que olha para ele. O diálogo é em inglês naturalmente, Bryan diz que está
encantado com a simplicidade, com o ar inocente e tímido que Rick tem. O
brasileiro dá uma golada no champanhe e fica sem palavras. Bryan olha para ele
com olhos brilhantes. Ele vai se aproximando vagarosamente, cada vez mais. Rick
fica tenso. Bryan põe a mão por dentro da camisa xadrez aberta de Rick e vai
com ela até as costas dele, puxando-o para si. Rick deixa a taça cair, empurra
Bryan e sai correndo. Ele pega o elevador e desce até o térreo. Rick deixa o
prédio as pressas e vai indo pela rua sem rumo. Ele para um taxi e vai embora.
Jane fica espantada e Bryan decepcionado.
Enquanto isso no Brasil, Campo Grande.
Edu sai de casa sem fazer barulho. Ele observa que Manu está realmente dormindo
e sai. Na saída do condomínio, ele vai até um carro de luxo estacionado do
outro lado da rua. No carro toca “Cry Me a River” na voz de Diana Krall. Edu
entra no carro que dispara sem rumo. Da janela do seu quarto Manu, que de boba
só tem a cara, observa atenta. O carro segue pela Avenida Afonso Pena. Passa-se
algum tempo e o carro adentra um motel de luxo. A madrugada vai se despedindo e
o dia raiando. São umas oito da manhã e o carro sai do motel. Edu é deixado em
casa. Ele entra no apartamento e dá de cara com Manu tomando café da manhã. Ele
se assusta. Manu questiona o motivo para o espanto. Edu diz que pensou que ela
estivesse na faculdade afinal já são oito e meia, diz ele olhando para seu
relógio de pulso. Ela diz que entrará mais tarde, pois as disciplinas dos
primeiros tempos ela não gosta. E é muito irônica ao questionar onde ele
esteve. Ele gagueja, mas é salvo da obrigação de uma resposta quando a
exagerada e perua Alexya entra toda irradiante dizendo que hoje Manu terá um
dia no SPA. Alexya dá um beijo no rosto de Edu que rapidamente sai do local
aproveitando a deixa. Manu reclama que tem aula mais tarde e não pode perder
tempo em SPA. Alexya fica chateadíssima e diz que ela vai sim que já agendou
para que as duas fiquem o dia todo no SPA e que Verinha cuidará de todos os
detalhes da festa. Manu fica com remorso e mesmo não querendo acaba aceitando.
Ela diz que vai ao quarto se arrumar. Alexya bate palminhas de alegria e come
uma uvinha. O celular de Manu toca. É Rafaela que questiona se ela irá à
faculdade. Manu diz que não pois sua mãe insiste que as duas tenham um dia de
“luxo” em um SPA como diria a própria Alexya. Rafaela estaciona o carro e desce
enquanto diz que tudo bem que mais tarde se veem na festa. Manu se desculpa,
pois sabe que tinham combinado de ficarem juntas depois da faculdade. Rafaela
diz que entende e que não fica e nem ficará chateada. As duas se despedem. Manu
sai com sua bolsa do quarto e antes de sair de casa bate na porta do quarto de
Edu que está só de cueca. Ele se cobre com um travesseiro. Ela diz que ele não
precisa se cobrir, pois já o viu mais nu que isso. E diz que não esqueceu que
ele lhe deve uma resposta. Ele balança a cabeça negativamente e ela sai. Alexya
diz a Manu que acha esse amigo dela uma graça. Manu faz cara de “Não para seu
bico”.
Raul analisa a roupa que Renato está
provando e diz que ele está lindo. Os dois trocam um beijo e todos na loja
observam. Renato envergonhado diz: - Amor estão todos olhando. Raul olha para o
preconceituoso publico e diz: - Nunca viram um lindo casal homossexual. Pessoas
retrogradas. Todos viram o rosto e fingem que nada ocorreu. A vendedora
questiona se irão levar com ar de quem quer se livrar logo da situação. E Raul
questiona se eles aceitam dinheiro gay. Ela se desculpa e diz que a loja é
frequentada por clientes muito tradicionais. Raul se desculpa, mas diz que ele
e Renato não são nada tradicionais e que não irão levar nada. Renato sai do
provador e Raul pega as roupas dos braços de Renato e joga em cima da vendedora
e saem. Renato diz que havia gostado daquela roupa. Raul diz que não aceita
preconceito de forma nenhuma. Renato, acha lindo o jeito dele e ao som de John
Legend, “We Just Don’tCare”, vão de loja em loja experimentando “looks”
diferentes.
Os dois cheios de sacola chegam em
casa. A empregada Xica diz que a encomenda de Raul chegou. Eles vão até o
quarto que era de Manu e Renato fica chocado. É um Box de luxo dos Beatles
importado diretamente da Inglaterra. Renato diz que Manu terá um colapso ao
ver. Raul faz uma cara debochada e diz que não mais do que quando ela ganhar o
carro que Alexya e Rogério compraram. Renato diz que o importante é o amor ao
invés de um presente caro. Raul diz que se a filha soubesse das mutretas que
sua mãe e Rogério já aprontaram, mas antes q conclua o pensamento, Renato pega
a mão de Raul e diz que não cabe a ele contar e se ela tiver que saber um dia,
ou Alexya conta pra ela ou ela acabará descobrindo sozinha. Raul diz que ele
tem razão.
Enquanto isso em Nova York, Rick
organiza suas malas e tudo para voltar para o Brasil, enquanto volte e meia
relembra o que ocorreu na noite passada. E junto desta, vem outra de um ano
atrás quando ao se despedir de Manu antes de embarcar para NY ela lhe disse:
“Seja quem você é, se assuma, se revele, seja você”. Vá com isso em mente. Ele
fez cara de bobo e de que não entendeu, mas por fim ele sabia o que ela estava
querendo dizer com isso. E lembrando-se disto, ele decide conversar com Manu.
Ele pega o celular e liga para ela. Mas só chama. Enquanto isso Manu toma um
relaxante banho de banheira com sais. E seu celular está na bolsa. Ele tenta
por mais algumas vezes e desiste. Ele resolve sair para tomar um café. Ele vai
andando a caminho de uma cafeteria. E quando vai saindo de uma quadra para
cruzar a rua ele tem uma surpresa. Quem está virando na mesma quadra é Bryan.
Rick fica nervoso. Bryan naturalmente conversa com ele. Os diálogos sempre em
inglês. Bryan questiona o motivo de ele ter saído daquela forma da festa. Rick
diz que não estava se sentindo bem. Bryan pergunta aonde ele vai. Rick se
engasga todo e diz que vai tomar um café. Bryan questiona se pode ir junto.
Rick pensa um pouco. E diz que tudo bem. E os dois vão juntos até a cafeteria.
Carmem entra no quarto de Rick. Ela
começa a olhar e relembrar da infância de seu filho. Ela vê fotos dos
inseparáveis amigos. O trio como ela define. Rick, Edu e Manu. Ela tira do
mural uma foto que está Rick e Edu. Ela observa a foto por minutos. Quando
adentra Jennifer que questiona o motivo de ela estar fixada naquela foto e pede
para vê-la. Carmem prega a foto de volta no mural e sai. Jennifer olha para a
foto. E balança a cabeça com ar de negativo. Geraldo está sentado na sala lendo
jornal. Carmem desce a escada pensativa. Ela para no meio. Geraldo vê a cena e
questiona se ela está bem. Ela vai até ele e senta a seu lado no sofá. Ela põe
a mão na perna dele, respira como se fosse dizer alguma coisa. Mas acaba
dizendo que irá sair. Ela pega a bolsa e vai saindo. Geraldo abaixa os óculos e
a observa sair.
Ela chega até o prédio onde mora Rick com
os amigos. Ela sobe e toca a campainha do apartamento. Ela toca duas, três
vezes. Até que desiste e resolve ir embora justamente quando a porta se abre, é
Edu. Que sorri ao ver Carmem. Ela pergunta se Manuela está. Ele diz que não,
pois ela e a mãe foram até um SPA. Carmem faz cara de “tanto faz” e vai indo
embora. Ele pergunta se está tudo bem com ela, pois desde que Rick foi para os
Estados Unidos ele não a viu mais, nem o seu Geraldo. Questiona se ela quer
tomar um café. Ela retrocede e aceita o café. Os dois entram. Edu serve o café
para eles. Ela questiona se ele está bem, se está namorando. Relembra que ele e
Manu tiveram um namoro. Ele ri e diz que é verdade, mas que era coisa de
adolescente e que hoje eles são mais que amigos têm até uma relação fraternal.
Ela questiona sobre Rick, que tipo de relação os dois tem. Ele questiona se ela
quer saber dele e Manu. Ela diz que não, quer saber sobre ele e Rick. Edu dá
risada novamente e diz que fraternal também. Carmem fica atordoada e diz que
precisa ir. Edu diz que ela nem terminou o café. Ela diz que realmente precisa
ir. Ele a acompanha até a porta. Ela entra no carro põe os óculos no rosto e
fica pensativa. “Porque estou pensando esse tipo de coisa de novo?”.
E sai com seu carro.
Em NY. Na cafeteria Rick já está
descontraído e dando muitas risadas com as historias que Bryan lhe conta sobre
suas viagens. Rick diz que gostaria de poder viver viajando também. Bryan diz
que se quiser pode acompanha-lo. Rick diz que tem planos. E que estar nos
Estados Unidos não é por acaso. Bryan concorda e diz que sabe o motivo com uma
expressão de interesse no ar. Rick ri se sentindo constrangido e lhe conta ao
ouvido, Bryan sorri maliciosamente. Toca na cafeteria “Charlie Brown” do
Coldplay. Rick dá risinho sem graça. Bryan pega na mão dele que está sobre a
mesa. E questiona qual o problema dele. Rick diz que o problema é que ele não
sabe o que ele quer, não sabe se definir. Bryan propõe que ele se descubra. Se
abra com ele. Rick diz que precisa ir para arrumar as coisas, pois pegará um
voo de volta para o Brasil e quer chegar a tempo para a festa de aniversário de
uma amiga. Bryan diz que tem vontade de ir ao Brasil. Questiona se ele é de São
Paulo ou do Rio. Rick ri e diz que ele deve ser daqueles que pensam que o
Brasil é só a Amazônia, São Paulo e Rio de Janeiro. Bryan diz que não que
sabe que existem outras localidades. Rick diz que é de Campo Grande, capital do
Estado do Mato Grosso do Sul. Enfatizando bem o “SUL”. Explica que não pode culpa-lo.
Pois os próprios brasileiros esquecem que existe o Mato Grosso do Sul e que
vivem falando Mato Grosso. E que, além disto, acham que tudo lá e puro mato,
repleto de caipiras e matutos. Ele ressalta que realmente precisa ir. Bryan se
oferece para ajuda-lo na arrumação. Rick aceita a ajuda.
Os dois chegam ao apartamento e começam
a arrumar as coisas. Ao som de “Violet Hill” do Coldplay. O celular de Rick
toca e ele diminui o volume do rádio. É Manu ligando para questionar que horas
ele ira embarcar de volta para o Brasil. Nesse momento uma moça serve champanhe
para Alexya. E oferece a Manu, que pede um momento a Rick e diz para a moça que
não vai tomar champanhe logo pela manhã. Alexya retruca e diz que são quase
onze e meia. Manu retorna a Rick caindo na risada. Bryan só observa. Rick
explica a Manu que seu voo sai às treze horas e que desembarca em São Paulo às
vinte duas e quarenta. E que já haverá um voo esperando por ele, pois pegará um
que sai de São Paulo para Campo Grande às vinte três horas. E que até às uma da
manhã estará na festa. Ela reclama e diz que ele deveria ter pegado um voo mais
cedo. Ele diz que realmente não conseguiu. Ela diz que tudo bem e que o melhor
da festa é sempre depois da meia-noite. Eles se despedem. A campainha toca.
Bryan atende e é Jane. Que faz cara de espanto. Ela questiona se eles passaram
a noite juntos. Ele prontamente diz que não. Jane entra e diz que veio
ajuda-los. Bryan diz que volta logo e sai. Ele vai até a rua e faz uma
ligação. Jane olha para Rick e diz a ele que Bryan é um ótimo rapaz. E que ele
está muito interessado. Rick diz que constatou que ele realmente é uma pessoa
bacana, mas que o conheceu ontem e que também não sabe o que ele mesmo
realmente quer, ou o que realmente é. E que não quer fazer ninguém sofrer. Jane
recebe um torpedo de Bryan. E faz uma cara de surpresa. Rick questiona e ela
diz que Bryan teve uns problemas para resolver e não volta mais.
Cai à noite em Campo Grande. Na mansão
tudo é preparado para a festa de Manu. Verinha supervisiona tudo. E é muito
rígida com os funcionários. O carro onde está Manu e Alexya chega. Verinha
sorri e as recepciona. Alexya questiona como estão os preparativos. Verinha diz
que tudo vai de vento em poupa. Manu fica impressionada, ao mesmo tempo que
chocada, com a decoração. Ela acha linda, e reclama que a mãe deve ter gastado
uma boa grana com aquilo tudo. Verinha diz que Manu não deveria se preocupar
com isso. Manu olha feio para ela. Verinha diz que já está tudo preparado para
elas finalizarem a arrumação no quarto. Elas adentram a casa e Rogério ao
vê-las bate palmas. Diz que elas estão deslumbrantes. Manu retruca e diz que
elas mal terminaram de se arrumar. As duas sobem até o quarto. Lá lhes esperam
dois cabeleireiros e maquiadores, além de duas ajudantes. Manu ri e acha aquilo
tudo exageradíssimo.
São vinte e uma horas e todos os
convidados já estão na festa. As duas descem e são cumprimentadas por todos.
Raul e Renato elogiam a filha. Que fica muito feliz com o presente que recebeu
dos dois, que ficam honrados e satisfeitos. Rafaela chega à festa. Ela usa uma
espécie de smoking e um chapéu estilo Charlie Chaplin. Manu vai até ela e a diz
que está linda. Alexya reclama que não gosta de ver Manu com aquela garota,
pois a acha muito bizarra. Raul olha para ela e diz que ela deve respeitar as
diferenças. Renato olha para ela diz: “– Pois é, olha para mim e para seu
ex-marido”. Ela sai resmungando que o mundo está realmente perdido. Manu e
Rafaela conversam pertinho. Rogério observa e diz a Alexya que já disse o que
pensa. Rafaela e Manu saem pelo jardim.
No voo é anunciado que dentro de dez
minutos o avião pousará no aeroporto Internacional de Guarulhos. Rick
sorri. Alguém a alguns assentos atrás o observa. Ele finalmente desembarca e
espera por suas malas próximo à esteira. Suas malas chegam e ela vai às
colocando no carrinho. Ele se dirige a área de embarque de seu voo para Campo
Grande. E mais uma vez ele segue viagem. O avião decola e ele novamente é
observado.
Manu se preocupa, pois Edu ainda não
chegou. Rafaela estranha também. Um carro luxuoso para na frente da mansão. Edu
desce do carro e vai entrando. Alexya pega ele pelo braço e questiona onde ele
esteve. O dois vão até um local discreto próximo à estufa. Os dois discutem.
Alguém aponta um celular para a cena e tira uma foto. Os dois se dirigem até a
festa e Alexya diz: “– Olha quem chegou!”. Manu diz que achou que ele não
viesse mais. E que agora só falta Rick chegar.
E mais uma vez Rick desembarca. Desta
vez finalmente em Campo Grande. Rick vai pegar um táxi. E logo atrás alguém
segue o táxi dele. O motorista do táxi liga o rádio. Toca “Charlie Brown” do
Coldplay. Rick diz que adora esta música. E comenta que nem parece que há quase
doze horas atrás estava em Nova York.
A festa bomba. Todos dançam ao som de
uma versão remix da música anteriormente citada. Os dois taxis param na frente
da mansão. Rick desce do carro sorridente enquanto o taxista tira as malas do
porta-malas. Alguém desce do táxi atrás e grita o nome de Rick...
Capitulo 1 . Texto: Léo Pereira.
Editoração: Gislaine Nunes. © 2012




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